ENSAIO AVULSO
6 de junho de 2025 · 1 min de leitura

Sexta-feira, pouco depois das seis

Pode acaso associar-se contigo um trono de iniquidade, que forja o mal tendo a lei por pretexto? (Salmos 94, 20)

O Salmo 94 não é lamento. É denúncia. A lei, que deveria proteger, foi convertida em arma. Poder travestido de legitimidade. Justiça usada como fachada.

Deus é chamado não por devoção ritual, mas por urgência moral. Não se pede castigo. Pede-se juízo. Porque quando o mal se organiza com respaldo legal, o justo já não tem para onde correr — a não ser para o alto.

A justiça divina aqui não é consolo místico. É critério. Deus não julga por capricho. Julga porque é a própria medida do que é justo.

A estrutura do mundo fala por Ele. Deus se revela na ordem que sustenta o caos. Não precisa intervir de forma espetacular para ser real. Basta deixar que o tempo faça seu trabalho.

O mal é ruidoso, mas não se sustenta. Não por punição divina, mas por falência interna. Quem se afasta do centro, implode. O inferno não é sentença. É escolha. É o lugar onde a alma se recusa a amar.

Deus não castiga como quem vinga. Corrige como quem ama. A dor, às vezes, já é suficiente.

A realidade foi feita para o equilíbrio. Quem insiste no desvio sente a ruptura no corpo, na alma, na história. A correção de Deus é contínua. Não grita. Direciona.

Por isso, quem pede destruição ainda não entendeu justiça. O juízo que salva não aniquila — reconduz. No fim, reconhecer o bem como centro é reconhecer Deus. Negar isso é negar o próprio chão.

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