12 de junho de 2025 · 1 min de leitura

Quinta-feira. Antes das seis. Salmos 100.

Dia de Salmo 100. Curtinho. Um dos mais famosos. Um convite à gratidão alegre a Deus e também à adoração coletiva. Já foi cantado literalmente em um hino cristão famoso.

O salmo utiliza o paralelismo, técnica de repetição comum nos salmos para reforçar suas ideias. Trata-se de um texto inclusivo, que estende o senhorio de Deus a toda a terra, não apenas a Israel.

Mas surge uma pergunta: por que adorar ou agradecer a Deus por algo que parece essencial à sua natureza — isto é, criar, sustentar, cuidar? Deus não precisa da nossa gratidão. Mas nós, sim.

A gratidão autêntica não é bajulação, mas reconhecimento ativo de que, em um mundo que tende ao caos, há um ideal, representado em Cristo, que conduz à vida feliz. E, sendo a vida feliz, ela é naturalmente alegre. Assim, a gratidão torna-se ação.

Esse movimento é ao mesmo tempo psicológico e espiritual: uma tentativa de equilíbrio interior e também de conexão com o Todo. Ainda que Deus aja por sua essência, nós agimos por liberdade, e isso nos torna capazes de sentir, amar, agradecer.

A linguagem, por sua vez, falha em descrever plenamente esse mistério. Por isso o antropomorfismo, apesar de limitado, é recurso válido, desde que consciente. O essencial talvez não se diga: se vive. E esse viver, essa tentativa contínua de expressar o inefável, é a própria essência da gratidão descrita no salmo.

Agradecer, assim compreendido, é necessário: para não cair no cinismo, para não fazer da razão uma idolatria. Há um caminho entre a superstição e o vazio, e ele começa, talvez, com um canto de agradecimento.

Salmo 100 de 150 capítulos
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