HAMLET
9 de janeiro de 2026 · 1 min de leitura

Os conselhos de Polônio

Estou lendo Hamlet, clássico de Shakespeare. Nele, um dos personagens, Polônio, dá conselhos a seu filho Laertes. Poderiam ser para mim ou para você. Veja:

  1. “Dá a cada homem teu ouvido, mas a poucos tua voz.”
    Ouvir é captar o mundo antes de reagir a ele. Falar menos não é timidez, é estratégia. Quem escuta bem entende melhor onde pisa.
  2. “Não tornes teus pensamentos ações precipitadas.”
    Nem tudo o que passa pela cabeça precisa virar gesto. A distância entre ideia e ação é o espaço da responsabilidade.
  3. “Sê familiar, mas não vulgar.”
    Proximidade constrói pontes. Excesso derruba limites. Respeito nasce da medida.
  4. “Amigos provados, prende-os à tua alma com ganchos de aço.”
    Laços verdadeiros são raros. Quando existem, merecem cuidado e lealdade ativa.
  5. “Evita brigas; mas, se entrares nelas, faze-o de modo que o adversário te tema.”
    Conflito não é virtude. Mas, quando inevitável, hesitação custa mais caro que firmeza.
  6. “Dá ouvidos a todos, mas reserva teu juízo.”
    Escutar opiniões não implica adotá-las. Julgar é um ato solitário.
  7. “Traja-te conforme teus recursos, sem ostentação.”
    A aparência comunica caráter antes das palavras. Excesso distrai, sobriedade sustenta.
  8. “Não emprestes nem tomes emprestado.”
    Dívidas criam amarras invisíveis. Autonomia é um bem silencioso.
  9. “Sobretudo: sê fiel a ti mesmo.”
    Não como slogan, mas como coerência diária. Quando isso falha, todo o resto vira encenação.

É curioso como conselhos dados num palco do século XVII continuam funcionando fora dele. Talvez porque, apesar do tempo, o jogo humano siga o mesmo.

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