ENSAIO AVULSO
1 de junho de 2025 · 1 min de leitura

Olá, consegue me escutar?

Será que ouvimos mesmo?
Ou só esperamos a nossa vez de falar?

As pessoas falam. Muito.
Mas escutam pouco.
Já nem percebem quando cortam o outro no meio da frase.

É pressa? Egoísmo? Ansiedade?
Tanto faz.
O resultado é o mesmo:
mais barulho, menos escuta.

A escolha parece ser entre frases simples, quase rasas — ou frases que não chegam ao fim.

A pressa vira afobação.
E o que se vê é gente repetindo o que já foi dito.
Não pra reforçar.
Mas porque não estava prestando atenção.

Muito falatório, pouco avanço.
Na falta de profundidade, o que cresce é o volume.

Gente falando cada vez mais alto.
Dizendo cada vez menos.
Gritando pra cobrir o silêncio que não sabem sustentar.

E hoje, a disputa é com a tela do outro.
Com as notificações. Com o feed.
A ilusão de que dá pra ouvir e fazer outra coisa ao mesmo tempo.
No fim, um acúmulo de nada.

Vivemos numa economia da atenção.
E economia, por definição, lida com o escasso.
O que falta não é foco.
É presença.

Não por incapacidade.
Mas por falta de hábito.
Ou por pura falta de educação mesmo.

Não acontece sempre.
Mas acontece demais.

Não ouvimos.
Só esperamos a nossa vez de falar.

Você já ouviu alguém hoje?
Ou só esperou sua vez?

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