ENSAIO AVULSO
20 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

O redemoinho (whirlwind)

O maior inimigo da estratégia talvez não seja uma estratégia ruim. Pode ser simplesmente o trabalho.

Em As 4 Disciplinas da Execução, os autores dão um nome muito bom para esse fenômeno: whirlwind, o redemoinho.

O redemoinho é o trabalho do dia a dia. Clientes para atender, reuniões, problemas para resolver, mensagens, entregas, decisões, imprevistos. Tudo aquilo que mantém a operação funcionando.

E aqui está o problema: o redemoinho não é ruim. Ele é necessário. Sem ele, a empresa para.

Só que ele é urgente.

Do outro lado estão os objetivos estratégicos. Aquilo que precisamos fazer para construir alguma coisa nova, desenvolver uma competência, mudar um processo, criar um produto, preparar a empresa para o futuro.

A distinção apresentada no livro é ótima: o urgente age sobre você. No importante, você precisa agir.

Um cliente liga. Você reage. Um sistema cai. Você reage. Uma entrega atrasa. Você reage.

Mas ninguém liga às 9h da manhã dizendo: “Precisamos interromper tudo porque aquela capacidade que será fundamental daqui a dois anos ainda não foi construída.”

A estratégia não costuma gritar.

E aí acontece uma coisa curiosa. Podemos terminar uma semana completamente exaustos, com a sensação legítima de que trabalhamos muito, porque realmente trabalhamos, e ainda assim não termos avançado praticamente nada naquilo que consideramos estratégico.

Não foi falta de trabalho. Foi justamente o contrário.

O redemoinho consumiu tudo.

Tempo, energia, atenção.

O urgente tem consequências imediatas. O estratégico aceita adiamento.

Hoje fica para amanhã. Amanhã fica para segunda. Segunda fica para o próximo mês.

Até que aquilo que era estratégico continua estratégico. Só nunca foi executado.

A solução não é acabar com o redemoinho. A operação precisa continuar funcionando. O desafio da execução é criar mecanismos que protejam o importante da tirania permanente do urgente.

Essa é uma responsabilidade fundamental da liderança: garantir o hoje sem sacrificar o amanhã.

Porque uma empresa pode estar ocupada, produtiva e até lucrativa enquanto deixa de construir aquilo de que precisará para continuar existindo.

O urgente exige atenção. O importante exige disciplina. Sem disciplina, o redemoinho vence.

As 4 Disciplinas da Execução.

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