ENSAIO AVULSO
7 de setembro de 2026 · 1 min de leitura

O poder que ainda é seu

Talvez a gente sofra demais por superestimar o controle que tem sobre os outros.

A opinião das pessoas importa. Não dá para simplesmente ignorá-la. Da mesma forma, não dá para ser indiferente ao comportamento de quem está ao nosso redor. Algumas atitudes nos afetam. Outras nos prejudicam.

Podemos conversar, explicar, argumentar, pedir, dar exemplo. Podemos e devemos tentar influenciar. Mas há uma diferença importante entre influência e controle.

Controle exige resultado. Influência oferece possibilidade.

O problema começa quando colocamos nosso foco no lugar errado. Tentamos controlar o que o outro sente, pensa ou faz e, nesse esforço, desviamos atenção e energia daquilo sobre o que realmente temos poder: o que nós dizemos, pensamos e fazemos.

Eu posso fazer tudo ao meu alcance para ser compreendido e, ainda assim, ser mal interpretado. Posso fazer tudo ao meu alcance para que alguém mude e essa pessoa simplesmente decidir não mudar.

A frustração aparece quando transformamos influência em um contrato imaginário: “Eu fiz isso, então você deveria fazer aquilo.”

Se alguém me interpreta mal, posso me explicar. Depois disso, a interpretação é dele. Se alguém faz algo que me prejudica, posso conversar. Mas também posso estabelecer limites, mudar minha proximidade ou decidir como vou responder.

Aliás, às vezes insistimos tanto para que o outro mude justamente porque assim evitamos uma decisão mais difícil:

O que eu vou fazer se ele não mudar?

Liberdade não é deixar de desejar que o outro pense ou aja de determinada maneira. É entender que podemos influenciar essa resposta, mas não controlá-la.

Continue tentando influenciar. Só não coloque sua paz na expectativa do resultado.

Quanto menos controle você tiver sobre o que acontece do lado de lá, mais atenção dedique ao que ainda está sob seu controle do lado de cá.

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