Talvez a gente sofra demais por superestimar o controle que tem sobre os outros.
A opinião das pessoas importa. Não dá para simplesmente ignorá-la. Da mesma forma, não dá para ser indiferente ao comportamento de quem está ao nosso redor. Algumas atitudes nos afetam. Outras nos prejudicam.
Podemos conversar, explicar, argumentar, pedir, dar exemplo. Podemos e devemos tentar influenciar. Mas há uma diferença importante entre influência e controle.
Controle exige resultado. Influência oferece possibilidade.
O problema começa quando colocamos nosso foco no lugar errado. Tentamos controlar o que o outro sente, pensa ou faz e, nesse esforço, desviamos atenção e energia daquilo sobre o que realmente temos poder: o que nós dizemos, pensamos e fazemos.
Eu posso fazer tudo ao meu alcance para ser compreendido e, ainda assim, ser mal interpretado. Posso fazer tudo ao meu alcance para que alguém mude e essa pessoa simplesmente decidir não mudar.
A frustração aparece quando transformamos influência em um contrato imaginário: “Eu fiz isso, então você deveria fazer aquilo.”
Se alguém me interpreta mal, posso me explicar. Depois disso, a interpretação é dele. Se alguém faz algo que me prejudica, posso conversar. Mas também posso estabelecer limites, mudar minha proximidade ou decidir como vou responder.
Aliás, às vezes insistimos tanto para que o outro mude justamente porque assim evitamos uma decisão mais difícil:
O que eu vou fazer se ele não mudar?
Liberdade não é deixar de desejar que o outro pense ou aja de determinada maneira. É entender que podemos influenciar essa resposta, mas não controlá-la.
Continue tentando influenciar. Só não coloque sua paz na expectativa do resultado.
Quanto menos controle você tiver sobre o que acontece do lado de lá, mais atenção dedique ao que ainda está sob seu controle do lado de cá.
