O mercado ficou nervoso com a vitória do Lula, mas será que isso significa que o mercado não gosta do Lula, não gosta de políticas sociais? Cara, não é bem assim. Aliás, a reação do mercado é algo até bastante previsível, tá? Pensa comigo, depois do primeiro turno, o mercado começou a precificar a provável vitória do Flávio Bolsonaro. A expectativa era de uma política econômica mais conservadora, pelo menos esse é o discurso, claro.
E entre o discurso e a prática tem uma distância bem grande. Mas o fato é, devido a essa precificação, a bolsa subiu, o dólar caiu, só que o Lula venceu. E aí, o mercado precisou se ajustar a uma realidade bem diferente daquela que ele havia precificado. Agora, é importante você entenda, em qualquer sistema complexo, quanto maior uma mudança, maior a necessidade de uma adaptação. E foi exatamente isso que a gente viu ontem. A surpresa foi grande.
A vitória do Lula, sobre muitas perspectivas, era algo improvável. Então, cara, já viu, né? Bolsa derretendo, 14% até circuit breaker foi acionado. Mas agora, tem algo importante que precisa ser dito. O mercado não é contra políticas sociais. Aliás, investimento em infraestrutura, saúde, educação, é fundamento para uma economia saudável e o mercado gosta disso.
O problema é a sustentabilidade ou falta de sustentabilidade para as políticas públicas. O Lula fez promessas durante a campanha que ampliam as despesas. E cara, quase nenhuma delas tem financiamento claramente definido. E quando a perspectiva de risco fiscal, cara, o mercado exige juros maiores. É a remuneração do capital. Quanto maior o risco envolvido, maior o prêmio esperado.
E isso encarece o crédito, prejudica investimentos e afeta o valor percebido das empresas. Percebe? Existe uma lógica econômica por trás da reação do mercado. Agora, isso não significa que o mercado está certo? Não necessariamente. O mercado pode avaliar corretamente os riscos, mas entender completamente errado o futuro.
Mas reduzir a reação do mercado a uma antipatia ao Lula ou políticas sociais, cara, isso é uma simplificação que não faz sentido quando se está falando de um sistema que é complexo. O mercado não tem uma vontade única. Tem participantes reagindo a incentivos, restrições e expectativas. E aqui está a grande lição: quanto maior a distância entre o futuro esperado e a realidade, maior pode ser o custo da adaptação.
O mercado, assim como os eleitores, operam sobre promessas. A diferença é que o mercado não tolera promessa que, obviamente, não pode ser cumprida. Mas essa é a minha leitura.
