Digamos que a urna é confiável. Mas agora me diz uma coisa: e o caminho da urna até o TSE, hein? Hein? Hein? Dá pra confiar?
De forma simples e direta: sim, eu entendo que é confiável.
Mas, mais uma vez, deixa eu fazer aqui um disclaimer, tá? Essa é uma análise técnica, não política. Eu tô analisando a coisa sob a perspectiva de arquitetura, de confiabilidade, processo de engenharia. Enfim, tô falando sobre aspectos técnicos, combinado?
Pra entender por que eu digo que uma urna é confiável, vamos acompanhar o dia de uma urna na eleição.
Antes da eleição, uma mídia de gravação, parecida fisicamente com um pendrive, é instalada dentro da urna e lacrada.
No dia da eleição, os mesários e os fiscais conferem os lacres. Se, por acaso, os lacres estiverem rompidos, a urna não deve ser aceita.
A urna imprime a zerésima, que é a confirmação de que, na memória dela, os votos estão zerados. A votação começa. E, lembrando: a urna não é conectada à internet.
Quando a seção fecha, a própria urna faz a apuração, a contagem dos votos, e imprime a BU, o boletim da urna.
Digamos que o BU mostre 120 votos para um candidato. Registre esse número: 120.
Uma cópia da BU é fixada na porta da seção. Além disso, uma cópia é disponibilizada para qualquer fiscal ou representante de partido que solicite uma.
Ou seja: o resultado existe, é impresso e público, antes de qualquer transmissão.
Só depois o pessoal da mesa rompe os lacres e retira a mídia de gravação com o resultado digital.
A urna fica para trás. Quem entra na rede é o outro computador, homologado pela Justiça Eleitoral. É nesse computador que a mídia de gravação é conectada.
E se alguém trocar a mídia no caminho, hein?
Trocar o objeto físico é uma coisa. Fazer o sistema aceitar é outra completamente diferente.
Os arquivos são todos assinados digitalmente. A autenticidade e a integridade é verificada pelos sistemas eleitorais. Se alguém tentar alterar o conteúdo, a verificação não confere.
E mesmo que alguém tentasse interferir no caminho, lembra do 120? Saiu da urna 120, tem que chegar a 120.
Interferir em uma etapa não basta. O resultado deixa rastro antes, durante e depois da transmissão.
E você não precisa confiar em mim nem no TSE, porque o BU que ficou fixado na porta tem um QR Code.
Você pode fotografar e utilizar o QR Code para acessar o aplicativo do TSE, onde você pode conferir o que está aparecendo sobre a urna nos servidores do tribunal com aquilo que ficou manifesto na BU que está fixado na porta, disponível para você e para todos os fiscais.
Sabe quantas vezes ficou indicado que esse valor era diferente?
Nenhuma.
Então, dá para inferir o seguinte: o sistema de transmissão é confiável.
