Pegaram uma foto minha e criaram um cara que não existe pra vender um produto que eu nem conheço.
O seguidor viu a propaganda e mandou: “Elemar, é você?”
E, cara, até parece, tá? O sujeito tem a minha cara, fala em inglês, responde perguntas, é apresentado como especialista em estratégia. Até podia ser eu. Só que não sou.
Eu juro que eu não decidi se isso é elogio ou ofensa. Olharam pra uma foto minha e provavelmente pensaram: “Esse cara tem credibilidade. Essa imagem vende.”
Fiquei lisonjeado. Só esqueceram de me pagar.
Mas, pensando bem, podia ter sido pior. Além do meu rostinho bonito, poderiam ter clonado a minha voz. Aí, talvez, nem eu saberia se aquele cara era eu ou não.
Brincadeiras à parte, olha aonde que a gente chegou. Não usaram meu nome, não falsificaram fala minha. Não tentaram exatamente se passar por mim. Usaram a imagem de uma pessoa real, esse que vos fala, pra criar uma pessoa artificial. Fabricaram uma pessoa que não existe.
Antes, quando a gente assistia a um vídeo, o que vinha à cabeça era: “Essa pessoa realmente disse isso?” Agora, a pergunta é: “Essa pessoa realmente existe?”
Sinal dos tempos.
E você? Se encontrasse um cara com a sua cara, falando outra língua, vendendo um produto que você não conhece, você ia rir ou ficar pé da vida?
