ENSAIO AVULSO
15 de novembro de 2025 · 1 min de leitura

Sábado. Seis da manhã.

Jeremias 20 mostra o profeta em queda. Judá agoniza antes do exílio. A Babilônia avança. A verdade incomoda. Pasur, líder religioso, o agride. Jeremias desaba. Não vacila. Desaba. Amaldiçoa o próprio nascimento. Quer silêncio. Quer sumir.

Mas não consegue.

A frase “a tua palavra era em meu coração como fogo ardente encerrado nos meus ossos” revela sua crise. Jeremias tenta calar, tenta conter, tenta sufocar. O fogo pressiona por dentro. Não dá trégua. Ele não fala porque quer. Fala porque o silêncio o destruiria primeiro.

Depois deste capítulo, o profeta muda. A esperança juvenil se rompe. Jeremias entende que fidelidade não anestesia. Apenas sustenta. Sustenta no limite, onde tudo treme.

E é aqui que o texto me pega. A palavra que nele queimava para sair agora queima em mim para entrar. Exige voz. Exige caminho. E antes que eu perceba, passa por mim também. Indomável.

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