ENSAIO AVULSO
6 de novembro de 2026 · 2 min de leitura

Governo x Bets: decisão judicial autoriza 3 bets a operar

Sabe as bets? Pois é, o governo federal embolsou 2,55 bilhões para autorizar o funcionamento delas no Brasil. Só que depois mudou de ideia, proibiu as apostas e resolveu que ia ficar com o dinheiro.

Agora a Justiça Federal autorizou três dessas bets a voltar a funcionar. O motivo, justamente a falta de compensação financeira.

Olha só, em 2023 o Brasil regulamentou o mercado de apostas. Quem quisesse operar pagava 30 milhões para obter uma autorização que tinha validade de 5 anos. Foram 85 autorizações.

O Estado criou as regras, cobrou para as empresas entrarem e, antes de completar dois anos de operação de mercado regulado, resolveu acabar com o jogo.

Em setembro desse ano, com uma canetada, o Lula proibiu as bets. A justificativa? Várias: endividamento das famílias, dependências, problema de saúde mental e proteção de crianças e adolescentes.

Olha, problemas sérios que eu não ignoro, você também não deveria.

O governo argumenta que a experiência com o mercado regulado deixou claro que os mecanismos de proteção que foram desenvolvidos não eram suficientes. E até aí tudo bem.

A questão é que esses riscos já eram conhecidos quando o governo cobrou pelas autorizações.

Então, quem assume responsabilidade por uma política pública que o governo desenvolveu e ele mesmo resolveu abandonar?

As empresas tiveram 10 dias para tirar os sites do ar e 30 dias até a extinção das autorizações.

E tudo isso sem devolução nem mesmo de valor proporcional do valor pago e também sem nenhuma indenização pelos investimentos realizados.

Na própria justificativa da proibição, o governo reconheceu que perderia em arrecadação tributária, mas destacou que não perderia a receita das autorizações porque o valor já havia sido pago.

Entendeu? O governo considerou, sim, o impacto financeiro da decisão, mas decidiu que o dinheiro das autorizações ficaria com ele.

E foi justamente pela ausência de compensação que a Justiça resolveu conceder liminar autorizando o retorno às operações de três casas de aposta.

A decisão, como quase tudo que acontece no Brasil, é provisória e a Advocacia-Geral da União já falou que vai recorrer.

Mas agora presta atenção. É verdade que uma autorização não garante funcionamento incondicional durante 5 anos. É verdade também que o governo pode e até deve mudar as regras do jogo conforme o interesse público.

Mas isso significa que pode cancelar tudo sem devolver um centavo?

Olha, deixando claro, eu não tô defendendo as bets agora. Eu defendo uma coisa chamada segurança jurídica.

O governo tem a prerrogativa de poder mudar de ideia, mas mudar de ideia não pode significar não encarar as consequências.

E eu posso concordar plenamente com a proibição das apostas, mas discordar completamente da forma como foi feita.

Porque uma coisa é decidir que uma atividade não deve mais existir e outra é decidir que o outro paga a conta pela decisão errada que você tomou no passado e agora tá tendo que desfazer.

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