ENSAIO AVULSO
28 de janeiro de 2026 · 1 min de leitura

Quarta-feira. Cinco da manhã.

Ezequiel 37. No exílio, com Jerusalém destruída e sem templo, o povo de Deus já não tem esperança. Conhece suas faltas. Sabe que não errou pela primeira vez. Reconhece que não cumpriu a sua parte.

Deus leva o profeta a um vale de ossos muito secos. O detalhe importa. A morte não é recente. É antiga. O cenário não dramatiza. Constata.

Deus pergunta ao profeta se ainda pode haver vida ali. A resposta é humilde e lúcida. Apenas o Senhor sabe. A decisão não cabe ao homem. Então Deus ordena que a palavra seja anunciada. Os ossos se juntam, tornam-se corpos, mas permanecem inanimados.

A lição é clara. Mesmo restaurados, ainda não estamos vivos. Estrutura não é vida. Forma não é fôlego. Sem o sopro de Deus, há apenas morte reorganizada.

Mas Deus quer. E, porque quer, sopra vida. Repete o gesto de Gênesis. A criação acontece outra vez. A decisão é sempre essa: onde Ele sopra, a vida volta a existir.

0
Quero saber a sua opinião, deixe seu comentáriox