23 de janeiro de 2026 · 1 min de leitura

Sexta-feira. Seis da manhã. Ezequiel 32.

Ezequiel 32 encerra a série de oráculos contra o Egito com dois lamentos fúnebres dirigidos ao faraó e à nação. O curioso é que o faraó ainda está vivo quando o lamento é proclamado. Literariamente, isso declara a morte como certa.

O texto se apoia na lei do tempo. Há tempo para tudo, e o tempo de tudo passa. Exceto Deus. A força que aterrorizou na vida não oferece qualquer vantagem diante do fim.

No primeiro lamento, o faraó é comparado a um crocodilo do Nilo que se agita orgulhoso em seu próprio rio. Deus o arrasta para fora do seu habitat, expõe seu corpo e apaga sua luz. Toda riqueza, defesa ou grandeza construída na terra revela seu limite quando confrontada pela finitude. Nada se sustenta por si.

A escuridão cósmica não descreve um fenômeno físico, mas a desorientação dos que ficam. É juízo sobre o entorno que confundiu duração com permanência e tratou como absoluto aquilo que sempre foi provisório.

No segundo lamento, o texto desce ao Sheol, o reino dos mortos. O Egito é conduzido à sepultura e colocado ao lado de outras potências derrotadas. Todas jazem ali armadas, silenciosas, igualmente impotentes. O juízo não é exclusivo, nem novo. Já era válido antes. Continua válido hoje.

O poder que se absolutiza nunca é apenas vencido; é desmitificado. No fim, resta a pergunta silenciosa que o texto impõe: o que sobra da nossa identidade quando aquilo que nos tornava relevantes já não tem utilidade alguma?

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