ENSAIO AVULSO
6 de setembro de 2026 · 1 min de leitura

Eu sei que não deveria, mas…

Eu sei que não deveria, mas…

Será que realmente não sabemos o que é certo e errado? Quando erramos, erramos mesmo por ignorância?

C. S. Lewis chama atenção para uma coisa curiosa em Cristianismo Puro e Simples: nossas próprias desculpas talvez revelem que conhecemos a regra que acabamos de quebrar.

Falou o que não devia? Estava cansado. Não cumpriu o combinado? Aconteceu um imprevisto. Perdeu a paciência? Também, olha a situação.

E veja: muitas dessas explicações podem ser verdadeiras. O interessante é outra coisa.

Quando nos justificamos, geralmente não estamos dizendo que a regra não existe. Estamos tentando explicar por que, naquele caso, não agimos de acordo com ela.

É quase sempre alguma variação de: “Eu sei que não deveria ter feito isso, mas…”

E esse “mas” diz muita coisa.

Se realmente acreditássemos que não existe certo ou errado, não precisaríamos explicar tanto. Bastaria dizer: “Fiz porque quis.”

Lewis percebe aí uma tensão muito humana: reconhecemos como deveríamos agir e, ainda assim, nem sempre agimos dessa maneira.

Talvez nosso problema, então, nem sempre seja descobrir o que é certo.

Muitas vezes, já sabemos.

O difícil é viver de acordo com aquilo que sabemos.

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