Eu sei que não deveria, mas…
Será que realmente não sabemos o que é certo e errado? Quando erramos, erramos mesmo por ignorância?
C. S. Lewis chama atenção para uma coisa curiosa em Cristianismo Puro e Simples: nossas próprias desculpas talvez revelem que conhecemos a regra que acabamos de quebrar.
Falou o que não devia? Estava cansado. Não cumpriu o combinado? Aconteceu um imprevisto. Perdeu a paciência? Também, olha a situação.
E veja: muitas dessas explicações podem ser verdadeiras. O interessante é outra coisa.
Quando nos justificamos, geralmente não estamos dizendo que a regra não existe. Estamos tentando explicar por que, naquele caso, não agimos de acordo com ela.
É quase sempre alguma variação de: “Eu sei que não deveria ter feito isso, mas…”
E esse “mas” diz muita coisa.
Se realmente acreditássemos que não existe certo ou errado, não precisaríamos explicar tanto. Bastaria dizer: “Fiz porque quis.”
Lewis percebe aí uma tensão muito humana: reconhecemos como deveríamos agir e, ainda assim, nem sempre agimos dessa maneira.
Talvez nosso problema, então, nem sempre seja descobrir o que é certo.
Muitas vezes, já sabemos.
O difícil é viver de acordo com aquilo que sabemos.
