ENSAIO AVULSO
6 de setembro de 2026 · 3 min de leitura

Enfim, 47!

Hoje completo 47 anos.

Até outro dia, eu era quase sempre a pessoa mais nova da sala. O precoce. Aquele que tinha chegado cedo demais a alguns lugares.

Por boa parte da vida, ser jovem fez parte da forma como eu me percebia. Agora, definitivamente, essa fase passou. Quando entro em uma sala, começo a estar entre os mais velhos.

Acabou o tempo de ser precoce.

Não digo isso com tristeza. Nem com nostalgia. É apenas a constatação de uma nova realidade: o tempo está passando. E o desafio continua sendo o mesmo: estar na melhor condição possível para o momento da vida em que estou.

Aos 47, tenho experiência suficiente para saber algumas coisas e, talvez, maturidade suficiente para desconfiar de boa parte das minhas certezas.

Tenho consciência das minhas imperfeições. Já não alimento a ilusão de que algum dia vou chegar a um ponto em que finalmente estarei pronto. Continuo aprendendo, mudando de ideia, revendo conclusões, acertando e errando.

Talvez isso seja humildade.

Humildade no sentido de manter os pés no chão. Não me reconhecer como mais do que sou, mas também não me colocar abaixo daquilo que efetivamente represento.

Humildade não é se diminuir. É tentar se enxergar com alguma precisão.

Quando olho para trás, o balanço me parece bom.

Construí uma empresa. Tenho dois filhos lindos. Fiz algumas contribuições pelas quais conquistei respeito. Construí relações importantes. Entre erros e acertos, acho que estou construindo uma história legal.

Mas uma história longa o suficiente também começa a acumular ausências.

Meu pai já foi embora. Minha mãe se foi no ano passado. Algumas pessoas ficaram. Outras passaram. Algumas relações que pareciam frágeis se mostraram surpreendentemente sólidas.

E mesmo as mais sólidas carregam uma verdade que, com o passar dos anos, fica cada vez mais difícil ignorar: tudo é efêmero.

Também sei que magoei pessoas pelo caminho. Seguramente mais do que gostaria. Nem sempre fui a melhor pessoa. Ainda não sou.

A quem feri, fica meu pedido de desculpas.

Não posso corrigir tudo o que ficou para trás. Posso reconhecer, pedir desculpas e tentar fazer melhor daqui para frente.

Talvez chegar aos 47 seja um pouco como uma árvore.

Já houve um tempo em que o mais evidente era crescer. Crescer rápido. Chegar mais longe. Agora, sem deixar de crescer, me interessa também aprofundar raízes.

Quanto mais tempo passa, menos me impressiona a altura e mais importância dou àquilo que me mantém de pé.

Não cheguei.

E acho bom saber disso.

Ainda tenho muito para aprender, construir, rever e viver. E, ao mesmo tempo, cada ausência me lembra de cuidar melhor das presenças. Das pessoas que amo enquanto elas estão aqui. Das relações que importam enquanto há tempo. Da vida enquanto ela acontece.

Aos 47, não tenho grandes conclusões.

Tenho algumas cicatrizes, algumas conquistas, algumas ausências, algumas certezas e um número cada vez maior de dúvidas.

Já não posso ser precoce.

Posso apenas tentar estar inteiro no tempo que é meu.

Com humildade para olhar para frente e gentileza para olhar para trás.

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