Desde que eu resolvi empreender, eu durmo como um bebê. Acordo de três em três horas, todo cagado, chorando em posição fetal.
Imposto, por exemplo: todo dia eu descubro um novo. E, quando eu acho que eu conheço todos, inventam mais um.
Mas tudo bem. Pelo menos as regras do jogo são as mesmas pra todo mundo. O problema é que mudam as regras do jogo o tempo todo, com o jogo andando. Olha essa reforma tributária, por exemplo.
Enfim, o jeito é parar de reclamar e ganhar em produtividade. Fazer mais com menos, ganhar eficiência. Basicamente, enxugar o gelo mais rápido.
O governo acha que a gente paga pouco imposto. E, cara, nem sempre é fácil pagar bons salários.
E agora tem essa mudança de escala também. É super interessante, sim, mas traz um bocado de dificuldades.
Pra mim não muda tanta coisa. E pra empresário grande acho que é até fácil acomodar. Agora pensa no caso da Dona Maria.
A Dona Maria tem uma lojinha com uma funcionária. Muda a escala e agora, talvez, pra continuar funcionando, ela tenha que contratar duas.
Só que aí minha pergunta: de onde vem o dinheiro? Pois é.
Olha, talvez a Dona Maria tenha até que fechar a lojinha. E daí o problema da moça que trabalhava lá deixa de ser ter tempo de menos pra vida e passa a ser ter tempo demais, se é que tu me entende.
Mesmo assim, a Exímia, ainda bem, tá crescendo. E olha, nosso negócio nem é consultoria jurídica pra banco emergente.
A gente ajuda empresas a utilizar tecnologia do jeito certo pra impulsionar os negócios. Porque, pra todo mundo, produtividade não é luxo. Em muitos casos, é questão de sobrevivência. É preciso compensar com tecnologia.
E tem outra que parece até uma piada pronta. Lembra daquela torcedora alemã indignada porque a Alemanha tinha perdido pro Paraguai? Fucking Paraguai! Lembra?
Pois é. Agora, na atual configuração fiscal, tem empresa grande do Brasil fazendo as contas e levando a operação pro Paraguai. Fucking Paraguai.
Imposto menor, custo menor, menos burocracia.
A Alemanha perdeu um jogo pro Paraguai. O Brasil tá perdendo empresa.
Daqui a pouco vai ter brasileiro querendo gravar vídeo: “Fucking Paraguai”. Mas devia estar gravando: “Fucking Brasil”.
Mesmo assim, nossos clientes estão satisfeitos. A Exímia tá crescendo.
Imagina o que a gente conseguiria fazer se a gente tivesse num país que realmente levasse os negócios a sério.
Num país onde, sei lá, ministro gargalhasse um pouco menos.
