Um professor de matemática tá afirmando que Flávio Bolsonaro deveria ter vencido a eleição com 65% dos votos e que um algoritmo teria manipulado a eleição. Só que a matemática apresentada definitivamente não prova isso. O professor Messias Trindade, que aliás é PhD, simulou diferentes ordens de apuração e nas simulações observou várias alternâncias na liderança. E segundo ele, cara, na apuração real houve apenas uma alternância.
Então, evidentemente, isso é muito estranho. Ele destaca com todas as letras que esse seria um evento estatisticamente raríssimo. Mas só que tem um pequeno erro do professor aí, tá? Ele fala como se a ordem da chegada dos votos fosse algo completamente aleatório. Só que a aleatoriedade não tá exatamente presente. A ordem de chegada dos votos não acontece por sorteio. Ela depende de geografia, infraestrutura, logística.
E ó, nós sabemos que regiões diferentes votam diferente. Imagina o seguinte, tá? Imagina que todos os votos de uma região favoráveis ao Lula cheguem juntos, ok? Lula dispara na liderança. E logo depois cheguem todos os votos de uma outra região. E aí Bolsonaro pode ultrapassar. Coisa que aliás aconteceu na apuração, certo? Uma única vez, mas aconteceu. Nesse cenário simples a apuração indicaria exatamente o que aconteceu.
Começa com a liderança de um candidato que é ultrapassado uma única vez no final pelo outro candidato. Por quê? Porque não é um evento aleatório. E tem mais um ponto que o professor ignorou. O gráfico que ele utiliza é um acumulado. Cada ponto carrega todos os votos anteriores. Dessa forma, movimentos suaves e até aproximadamente lineares é algo perfeitamente possível. Não é raro não, tá?
Mas o professor analisa algumas quedas quase lineares como evidência de que um algoritmo estaria prejudicando, melhor, penalizando, usando as palavras dele, o Flávio. Só que aí na análise ele faz algo ainda mais problemático. Ele remove todos os trechos do gráfico que considera suspeita e aí projeta uma vitória do Flávio por 65%. Só que cara, se você remove todos os movimentos que contrariam a sua hipótese, você não tá validando nada.
Você só tá construindo o resultado que você gostaria de encontrar. Mas ó, quer investigar fraude na totalização? Ótimo. Por favor, compara os boletins impressos pelas urnas com os votos totalizados. E mostra aonde os números divergem. Porque cá entre nós, um gráfico estranho pode sim justificar uma investigação, mas não autoriza ninguém, independente da titulação, de anunciar uma fraude como fato. E ó, doutorado nenhum em matemática muda isso.
Isso é criação de narrativa irresponsável, de gente que não é comprometida com a ciência e não é legal. Autoridade nunca substitui evidência. Fala sério.
