ENSAIO AVULSO
22 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

Ela perdeu a partida, mas ganhou meu respeito.

Assisti a um vídeo com uma entrevista da jovem Lívia Vieira, uma tenista de dez anos, depois de uma derrota. Ainda chorando, ela tentava explicar o que estava sentindo.

Ela perdeu a partida. Mas ganhou meu respeito.

“A gente não ganha tudo na vida. Eu já perdi muitas vezes, mas eu já ganhei. E eu agradeço muito também, mas eu queria ter ganho.”

Fiquei pensando nessa fala. Ela reconhece o que já conquistou e, ao mesmo tempo, admite a frustração. Ser grato não faz a derrota deixar de doer.

“Eu preciso esforçar mais e eu gosto de jogar, mas eu fico nervosa quando eu tô perdendo.”

Essa honestidade me toca. Quantas vezes nós conseguimos reconhecer o que precisamos melhorar sem procurar uma desculpa ou alguém para culpar?

“Então tem que ter paciência, que é uma coisa que eu tento ter, mas eu não consigo.”

Talvez essa seja a fala mais próxima de todos nós. Saber o que precisa ser feito e conseguir fazer são coisas diferentes. Entre uma e outra, existe aprendizado, tentativa e muita frustração.

Na entrevista, Lívia também conta que viu a Sabalenka jogar e quis começar. Pediu à mãe, que já jogava tênis, e entrou no esporte.

Uma referência pode despertar a vontade. Mas é na prática, inclusive nos dias difíceis, que essa vontade precisa se sustentar.

“Eu sempre tava lá, eu sempre tentava, sempre esforçava, sempre corria. Eu me abatia, mas um tempo lá eu levantava.”

Foi aqui que ela ganhou meu respeito.

Ela chora. Fica nervosa. Se abate. E volta.

Às vezes, cobro de mim uma força que não deixa muito espaço para sentir. Ouvindo a Lívia, lembrei que posso ficar frustrado, reconhecer que uma derrota doeu e, ainda assim, encontrar disposição para tentar de novo.

Isso vale para a quadra, para o trabalho e para a vida.

Naquele dia, ela perdeu uma partida. E me deu uma boa razão para pensar na maneira como eu lido com as minhas.

0
Quero saber a sua opinião, deixe seu comentáriox