Schopenhauer ensinou. E o STF deu uma demonstração prática nessa sessão do último dia 15.
Flávio Dino pediu vista quando o placar caminhava contra a posição que ele defendia. Estratagema 18: quando a discussão ameaça terminar de um jeito que você não quer, interrompa. Supostamente.
Gilmar Mendes parte para críticas pessoais a André Mendonça. Estratagema 38: quando você perceber que vai perder, parta para o ataque pessoal. Supostamente.
André Mendonça está falando. Gilmar interrompe. Mais de uma vez. Estratagema 8: provoque irritação. E consegue.
Fux, então, lembra Gilmar de um episódio em que ele próprio teria feito algo parecido com aquilo que agora condenava. Estratagema 16: confronte o adversário com uma incoerência entre o que ele diz e o que já fez.
Depois, Gilmar e Fux recorrem algumas vezes ao tempo de Supremo. Mais de vinte anos. Mais de quinze anos. Estratagema 30: apelo à autoridade. “Eu estou aqui há muito tempo. Eu sei como isso funciona.” Supostamente.
E eu poderia continuar. A lista vai longe.
É a lógica da dialética erística, como Schopenhauer descreve. Esqueça a verdade. O importante é vencer o debate.
E esse é o problema: ter razão e ganhar uma discussão são coisas diferentes.
Por isso eu recomendo a leitura dos 38 estratagemas de Schopenhauer. Não só para reconhecer quando alguém está tentando parecer que tem razão. Mas para perceber quando você faz a mesma coisa.
Porque depois que você conhece esses recursos, começa a enxergar nos outros.
E pior: em você também.
Concorda?
Sem corda?
