Saber diferenciar aquilo que é essencial daquilo que é apenas desejável é fundamental para construir qualquer organização que pretenda crescer.
Para mim, essa é uma das grandes lições de Atos dos Apóstolos, capítulo 15.
Em Atos 15, acontece o chamado Concílio de Jerusalém. A igreja estava crescendo entre os gentios e surge uma questão importante: quais costumes e regras da tradição judaica deveriam ser exigidos daqueles que estavam se tornando cristãos? A circuncisão estava no centro da discussão.
Pedro argumenta que não fazia sentido impor aos gentios todas as exigências da tradição judaica. Afinal, o próprio Espírito já havia atuado entre eles. Paulo e Barnabé também relatam aquilo que estava acontecendo entre os não judeus.
A discussão, no fundo, era sobre distinguir princípio de prática, essência de costume, aquilo que precisa ser preservado daquilo que simplesmente foi feito daquela maneira até então.
Essa distinção é fundamental quando alguma coisa cresce. Enquanto tudo é pequeno, é relativamente fácil carregar regras, costumes e processos sem questioná-los. Conforme a realidade se expande, porém, cada exigência desnecessária começa a cobrar seu preço.
Por isso, precisamos saber claramente o que é inegociável e o que é apenas uma boa prática. Aquilo que é essencial deve ser protegido. Aquilo que é apenas desejável precisa permanecer aberto à revisão.
Crescer exige preservar a essência sem transformar todo costume em princípio.
