ENSAIO AVULSO
4 de outubro de 2026 · 2 min de leitura

As urnas eletrônicas são confiáveis?

Essas urnas eletrônicas, elas são confiáveis? Resposta direta: sim.

E, ó, eu vou deixar claro desde o princípio, tá? Essa é uma posição técnica, não política. Eu tô falando de arquitetura, de segurança, de mecanismos de verificação.

Mas, já que eu disse que elas são seguras, deixa eu te explicar o porquê.

Primeiro, elas não ficam conectadas à internet. Um hacker não consegue acessar as urnas remotamente. A urna não depende da internet nem para registrar nem para apurar os votos.

Segundo, cada urna apura os votos na própria seção. Terminou a votação, ela faz a apuração e gera o boletim. Assinado, verificado, de forma digital. Não é possível de alterar.

Isso é separação de responsabilidades. Um princípio de arquitetura, cara. Uma coisa só não controla tudo.

E terceiro, o sistema todo é testado e auditado. Hoje mesmo, com as eleições acontecendo, urnas foram selecionadas para execução de um teste de integridade.

Nesse processo, votos previamente registrados em papel são digitados, informados na urna. No final, uma comparação é feita entre a apuração da urna e os votos que tinham sido registrados antes.

Tem ainda o teste de autenticidade. Antes da votação começar, é feita uma verificação onde se constata que o software que está rodando na urna é o mesmo que foi inspecionado e validado e também assinado digitalmente.

Ou seja, não dá para alguém simplesmente alterar o software da urna. Se isso acontecer, o processo não inicia. E, caso aconteça ainda, no envio da apuração se percebe que a imagem do software que estava na urna não corresponde àquela esperada. Consequentemente, a urna seria invalidada.

Então, o software da máquina não é alterável, percebe?

Ou seja, não é simplesmente “confia que o software é esse”. É “verifica se o software é esse”.

E isso revela uma coisa muito interessante a respeito da arquitetura: não existe apenas uma camada de segurança e verificação. São múltiplas camadas.

Você reduz a superfície de ataque tirando acesso à internet. Separa responsabilidades para garantir que você tenha múltiplas camadas de verificação. Usa assinatura digital e criptografia. Além disso, testa e audita. E, não sendo suficiente, ainda cria uma série de recursos para detectar alterações.

E sabe o que é curioso? Nesse ano, as urnas eletrônicas completam 30 anos.

E tem uma lição aqui que vale para qualquer sistema crítico: confiabilidade não é uma feature que você adiciona no final.

Sistema crítico não pede confiança. Isso quem faz são os candidatos. Sistema crítico produz evidência.

Então, na próxima vez que alguém questionar “será que as urnas eletrônicas são confiáveis?”, pode responder com convicção: sim, elas são.

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