Tem uma trend nova circulando por aí: todo mundo está pegando uma foto e pedindo para a inteligência artificial estilizar como se fosse dos anos 80. Até eu fiz isso.
É bem legal, mas tem um problema. Quando a gente olha imagens reais de pessoas nos anos 80, percebe que a coisa era um pouco diferente.
Outro dia, por exemplo, eu peguei um vídeo do Namoro na TV, com Silvio Santos. Em determinado momento, aparecem pessoas dizendo suas idades: 23 anos, 19 anos, 30 anos.
E a impressão é imediata.
Gente com 18 parecia ter 30. Gente com 30 parecia ter 50. E gente com 50, melhor nem entrar no assunto.
E não era só a roupa.
Era cabelo, pele, postura, estilo de vida. Tudo parecia fazer as pessoas aparentarem mais idade do que realmente tinham.
E, sim, o tempo melhorou bastante para a gente.
A medicina melhorou. A odontologia melhorou. Os cuidados com a pele melhoraram. Muita gente adotou atividade física como rotina. Eu ainda não, mas pretendo.
Só que a inteligência artificial não mostra isso.
Ela pega uma foto sua de 2026 e coloca uma estética de 1986.
E talvez seja justamente aí que esteja a parte mais interessante.
Isso diz mais sobre nós do que sobre a inteligência artificial ou sobre os anos 80.
Porque a gente não sente saudade do passado exatamente como ele foi.
A gente sente saudade da versão editada que construímos dele.
Nostalgia não é memória.
É, no máximo, memória com filtro.
Agora, aplicada por inteligência artificial.
