Hoje um amigo me falou sobre um conceito fascinante: o dos pêndulos.
Nunca tinha ouvido falar. E passei boa parte do dia pensando nisso.
A ideia aparece no Reality Transurfing, de Vadim Zeland. Ele propõe que, quando muitas pessoas direcionam atenção e emoção para uma mesma coisa, surge uma espécie de estrutura coletiva que passa a buscar a própria sobrevivência. Um pêndulo.
Não é ciência. Zeland está claramente no campo metafísico. Mas, mesmo sem comprar essa parte, a metáfora é poderosa.
O pêndulo quer continuar existindo. E, para isso, precisa ser alimentado.
O fascinante é que ele não precisa que você concorde com ele. Precisa que você continue emocionalmente preso a ele.
Você pode amar ou odiar. Defender ou atacar. Estar apaixonadamente a favor ou furiosamente contra. Enquanto aquilo continuar capturando sua atenção e determinando suas reações, o pêndulo continua recebendo energia.
Foi impossível não pensar nas redes sociais.
Alguém publica um absurdo. Você fica indignado. Comenta. Compartilha para mostrar o tamanho do absurdo. Outra pessoa responde. Você volta. A discussão cresce. O algoritmo percebe o interesse e entrega aquilo para mais gente.
Você acredita que está combatendo o fenômeno.
Talvez esteja ajudando a mantê-lo vivo.
E isso vai muito além da internet.
Empresas, movimentos, rivalidades, ideologias, comunidades e discussões podem adquirir uma dinâmica própria. Em algum momento, deixamos de decidir quanto da nossa atenção queremos oferecer e passamos simplesmente a reagir.
Essa foi a parte que mais me pegou.
Lutar contra um pêndulo pode ser outra forma de pertencer a ele.
Aquilo que você odeia pode controlar tanto a sua atenção quanto aquilo que você ama. Você acompanha. Reage. Se irrita. Discute. Aos poucos, pode até começar a construir parte da própria identidade em oposição àquilo.
Você acha que está resistindo.
Mas continua se movimentando no ritmo do pêndulo.
Talvez esteja aí a provocação mais interessante dessa ideia: combater alguma coisa não significa necessariamente estar livre dela.
Às vezes, aquilo contra o que você mais luta é justamente aquilo que mais determina onde você coloca sua atenção, sua energia e suas emoções.
Para Zeland, você não derrota um pêndulo lutando contra ele. Porque a luta também o alimenta.
Você enfraquece essa relação quando deixa de reagir automaticamente. Quando ele já não consegue determinar seu estado emocional, capturar sua atenção ou escolher suas batalhas por você.
Talvez liberdade tenha menos a ver com vencer aquilo que nos provoca e mais com decidir conscientemente o que merece a nossa energia.
Porque até aquilo que combatemos pode acabar nos controlando.
