A dor é inevitável. O sofrimento pode não ser uma escolha, mas alimentá-lo é.
Ninguém escolhe sentir dor diante de uma perda, de uma rejeição, de uma decepção ou de um fracasso. Algumas coisas simplesmente doem. E, muitas vezes, o sofrimento vem junto, sem pedir licença.
Mas há uma diferença entre sofrer por aquilo que aconteceu e continuar sofrendo por aquilo que insistimos que deveria ter acontecido.
A dor diz: “isso aconteceu”. Nós acrescentamos: “isso não deveria ter acontecido”. “Por que comigo?” “Só vou ficar bem quando isso mudar.” E, sem perceber, já não sofremos apenas pelo que aconteceu. Sofremos também porque ainda queremos que tivesse sido diferente.
Boa parte do sofrimento que carregamos é alimentada assim. Revisitamos o que passou. Imaginamos como deveria ter sido. Esperamos do outro um comportamento que não podemos controlar. Tentamos, mentalmente, renegociar uma realidade que já aconteceu.
Não temos controle sobre tudo o que pode nos ferir. Não controlamos o comportamento do outro, uma rejeição, uma perda e, definitivamente, aquilo que já passou. Mas podemos decidir o que fazer depois.
Não se trata de escolher não sentir. Muito menos de fingir que não doeu. Trata-se de perceber quando já não estamos apenas sentindo a dor. Estamos dando a ela razões para ficar.
A dor merece ser sentida. Só não precisa ser alimentada.
