ENSAIO AVULSO
29 de outubro de 2026 · 2 min de leitura

106 urnas sem nenhum voto para o Flávio. Fraude?

106 urnas não registraram nenhum voto para o Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026. Isso não é normal. Será? Em 2002, o Serra ficou sem votos em 33 seções. Em 2006, o Alckmin ficou sem votos em 234. Em 2010, o Serra, de novo, ficou sem votos em 259. Em 2014, o Aécio ficou sem votos em 192. Em 2018, Jair Messias Bolsonaro ficou sem votos em 328 seções. Recorde absoluto nessa série histórica que começou lá em 2002.

E olha que voto curioso, ele ganhou a eleição nesse ano. Em 2022, 143 seções não registraram votos para o Bolsonaro. E agora, em 2026, 106 não registraram votos para o Flávio, filho dele. Ou seja, esse fenômeno está sendo observado desde 2002, pelo menos. Mas agora, vamos dar uma olhada para essas 106 seções que não registraram votos para o Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, ele conseguiu 118 votos somados em todas elas.

No segundo turno, já sabemos, nenhum. O Lula, hein? No primeiro turno, recebeu 14.389 votos nessas mesmas urnas. No segundo turno 14.860. Tem um ponto interessante, dessas 106 urnas, no primeiro turno, em 50, o Flávio já não tinha recebido votos. Ou seja, a votação já era bem concentrada nessas regiões no primeiro turno, não houve mudança drástica aqui. Isso não aconteceu somente em 2026.

Em 2022, o PT já tinha recebido 98,9% dos votos nessas mesmas urnas. E tem outros eventos interessantes que vale a pena considerar quando a gente está ponderando aí sobre urnas que não recebem votos para um determinado candidato. Em 2022, Charrua, município do Rio Grande do Sul, registrou numa sessão todos os votos para o Bolsonaro e nenhum para o Lula.

Só que em outra sessão, no mesmo município, todos os votos foram registrados para o Lula e nenhum para o Bolsonaro. Existe um município chamado Chaves, no Pará, que registra um fato ainda mais curioso. Uma mesma sessão não registrou voto para nenhum candidato do PT por três eleições. Em 2014, nenhum voto para Dilma. Em 2018, nenhum voto para Haddad. Em 2022, nenhum voto para Lula. Como que você explica isso?

Primeiro, tem que entender que uma sessão eleitoral não representa uma cidade inteira. Além disso, é comum que certas comunidades tenham preferências políticas bem concentradas. Em grupos pequenos e politicamente homogêneos, esse tipo de resultado extremo acontece com naturalidade. Ah, agora, isso é evidência de que não há problema nenhum no processo eleitoral? Não, não necessariamente.

Mas zero votos para um candidato definitivamente também não é prova de fraude. Quer desconfiar? Desconfia. Quer investigar? Investiga. Porque desconfiar e investigar são direitos. Só que transformar aquilo que você não entende em prova de fraude não é fiscalização, é precipitação. Antes de afirmar que uma coisa não é normal, vale a pena investigar para descobrir o que é o normal.

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