Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos… 🎵
Muita gente reconhece essa frase por causa de Monte Castelo, da Legião Urbana. Mas ela começa muito antes de Renato Russo.
Ela vem de 1 Coríntios, capítulo 13.
Foi justamente esse capítulo que inspirou parte importante da música. Renato Russo mistura ali o texto de Paulo com versos de Camões, mas o ponto de partida é a mensagem do apóstolo para a igreja de Corinto.
E o contexto importa.
Os coríntios davam enorme importância aos dons espirituais, às manifestações da fé e àquilo que poderia indicar alguma superioridade espiritual. Paulo, então, desloca o centro da conversa: sem amor, nada disso basta.
Não importa falar de maneira extraordinária, conhecer mistérios ou demonstrar uma fé impressionante. Sem amor, tudo perde o valor.
Paulo começa então a explicar que amor é esse.
Ele é paciente e benigno. Não trata as coisas com leviandade. Não age de maneira indecente ou inconveniente. Não vive buscando apenas os próprios interesses. Não suspeita do mal. Não se alegra com a injustiça, mas com a verdade.
Em Monte Castelo, essa ideia aparece misturada aos paradoxos de Camões.
É ferida que dói… 🎵
A música fala da experiência do amor. Paulo está interessado principalmente na prática dele, e essa diferença é importante.
Em 1 Coríntios 13, amor não aparece apenas como sentimento. Aparece como comportamento. Paulo diz que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
É relativamente fácil dizer que se ama. Mais difícil é transformar esse amor em paciência, generosidade, verdade, renúncia ao ego e disposição para agir corretamente quando seria mais fácil fazer outra coisa.
Talvez seja justamente por isso que esse capítulo seja tão conhecido e, ao mesmo tempo, tão exigente. É bonito falar sobre amor. Difícil é viver de acordo com aquilo que Paulo chama de amor.
No fim, ele coloca lado a lado três coisas enormes: fé, esperança e amor. As três permanecem, mas o maior é o amor.
Renato Russo ajudou muita gente a ouvir essas palavras pela primeira vez. Paulo, quase dois mil anos antes, já tinha deixado claro o que elas significavam: amor não é apenas aquilo que sentimos. É aquilo que escolhemos praticar.
1 Coríntios 13.
