Todos nós temos referências. E referências são coisa boa, tá? O problema é quando elas se convertem em identidade.
Porque isso simplifica demais o mundo, sabe?
Você passa a se apresentar, por exemplo, em termos de política, como lulista, bolsonarista, esquerdista, direitista, enfim. Tudo isso pode servir como referência. Mas não é identidade. Não é quem você é. Não pode ser.
Outro ponto importante: a gente vive em tempos em que muita gente confunde capacidade com maturidade. Resultado pode demonstrar capacidade. Não necessariamente maturidade.
E terceiro: muita gente utiliza uma régua simples demais para estabelecer o valor das coisas. Como se aquilo que parece forte ou inteligente fosse necessariamente aquilo que tem mais valor.
Referência não é identidade. Capacidade não é maturidade. E aquilo que parece forte ou inteligente não é necessariamente aquilo que tem mais valor.
E onde que tudo isso fica claro?
Na Primeira Carta aos Coríntios, logo no capítulo 1.
Os coríntios estavam divididos: “eu sou de Paulo”, “eu sou de Apolo”, “eu sou de Cefas”. E Paulo questiona: Cristo está dividido? Percebe? Referências tinham virado identidade.
Depois, Paulo confronta a confiança excessiva na eloquência e na sabedoria humana. E essa crítica me provoca também numa outra direção: a gente confunde facilmente capacidade com maturidade. Resultado pode demonstrar capacidade. Não necessariamente maturidade.
E, finalmente, ele apresenta a cruz. Aquilo que, para muita gente, parecia loucura e fraqueza era justamente onde se manifestavam a sabedoria e o poder de Deus.
Talvez a nossa régua esteja errada.
1 Coríntios 1.
